Quem está estudando música tem a obrigação de conhecer todos os intervalos musicais. Estar com os intervalos na ponta do ouvido é sinal que você fará um bom solfejo e terá mais facilidade quando for tirar algum solo de ouvido.
A associação de cada intervalo musical com uma música conhecida, facilita a memorização durante o aprendizado. Está certo que algumas músicas aqui apresentadas, alguns de vocês não as conhecem, mas se alguém souber de alguma outra musica, deixem um comentário para ser acrescentada na lista!
O objetivo é fazer com que você escute o intervalo, se lembre da musica associada ao referido intervalo e saiba dizer se é uma 3M (terça maior), 5J (Quinta justa), etc.
Intervalos
Intervalo é a diferença de altura entre duas notas. São classificados quanto à simultaneidade ou não dos sons e à distância (altura) entre eles.
Uníssono:
Eis a- qui este sambinha, feito numa nota só ... (Samba de Uma Nota Só, Tom Jobim); Céu, tão grande é o céu... (Dindi, Tom Jobim); O- lha que coisa mais linda... (Garota de Ipanema, Tom Jobim e Vinicius de Moraes).
Aqui os intervalos serão tocados ascendentemente!
2ªm - Segunda Menor (Ascendente): Meu co- ração não se cansa... (Coração Vagabundo, Caetano); Mas pra quê? Pra que tanto céu... (Inútil Paisagem, Tom Jobim e Aloysio de Oliveira); Trilha sonora do filme o tubarão; Tema: A pantera cor de rosa.
2ªM - Segunda Maior (Ascendente): Bra- sil, meu Brasil brasileiro... (Aquarela do Brasil, Ary Barroso); Eu nun- ca sonhei com você... (Lígia, Tom Jobim); Para-béns para você, nessa data... (Parabéns para você).
3ªm - Terça Menor (Ascendente): Al- guém cantando longe daqui... (Alguém Cantando, Caetano Veloso); Eu que- ro ovo de codorna pra comer... (Ovo de Codorna, Luiz Gonzaga); Vo- cê precisa saber da piscina... (Baby, Caetano Veloso); Inicio da música "Smoke on the water"- (Deep Purple).
3ªM - Terça Maior (Ascendente): Eu sei que vou te amar... (Eu Sei Que Vou Te Amar, Tom Jobim); Na-tal, natal, natal... (Tema de Natal da Coca-Cola) ; The number of the beast - (Irom Maidem).
4ªJ - Quarta Justa (Ascendente): Tris- te- za não tem fim... (A Felicidade, Tom Jobim/Vinicius de Moraes); O mor- ro não tem vez e o que ele fez... (O Morro Não Tem Vez, Tom Jobim e Vinicius de Moraes); Ou- vi- ram do Ipiranga às margens plácidas... (Hino Nacional Brasileiro, Francisco Manoel da Silva e Joaquim Osório Duque Estrada); ca-ia, a tarde... (O bêbado e a equilibrista, Elis Regina).
4ª Aum - Quarta Aumentada / 5ª Dim - Quinta Diminuta (Ascendente): The sim-psons... (The Simpsons theme song); Introdução da música "Piano na Mangueira (Tom Jobim e Chico Buarque). ...que só teu amor procurou... (no meio de Manhã de Carnaval, Luiz Bonfá).
5ªJ - Quinta Justa (Ascendente): Es- tre- la de cinco pontas... (As Várias Pontas de Uma Estrela, Caetano Veloso e Milton Nascimento); Trilha sonora do filme "Super Man"; Solo de introdução da música "Que país é esse?" (legião Urbana). One (Metallica);
6ªm - Sexta Menor (Ascendente): Ma- nhã, tão bonita manhã... (Manhã de Carnaval, Luiz Bonfá); Eu vi o menino correndo, eu vi o tempo... (Força Estranha, Caetano Veloso). 6ªM - Sexta Maior (Ascendente): Ma- ri- na morena Marina você se pintou... (Marina, Dorival Caymmi); Le- va- va uma vida sossegada... (Ovelha Negra, Rita Lee); Introdução da música "Amigos para Siempre" (Sarah Brightman).
7ªm - Sétima Menor (Ascendente): ...co- m'os- olhos de um bandido... (no meio de Esse Cara, Caetano Veloso);
7ªM - Sétima Maior (Ascendente): O Deus- que mora na proximidade do haver avenças... (Pelos Olhos, Caetano Veloso). Take-on Me (Take on Me, A-ha,). O in-verno é mau, traz chuva, traz frio... (Canção "O Inverno é mau").
8ªJ - Oitava Justa (Ascendente): Ó meu amigo, meu herói (Meu Amigo, Meu Herói, Gilberto Gil); Não, não pode mais meu coração... (Modinha, Tom Jobim e Vinicius de Moraes);
Agora os intervalos serão tocados descendentemente!
2ªm - Segunda Menor (Descendente): Luz do sol... (Luz do Sol, Caetano Veloso); Pa -re -ce que dizes, te amo, Maria... (Anos Dourados, Tom Jobim e Chico Buarque); Hino da bandeira do Brasil; Fur Elisa (Beethoven);
2ªM - Segunda Maior (Descendente): Meu coração, não sei porque... (Carinhos - Pixinguinha/Jõao de Barro); Por ser de lá, do sertão, lá do cerrado... (Lamento Sertanejo, Dominguinhos e Gilberto Gil); Mi- nha alma canta, vejo o Rio de Janeiro... (Samba do Avião, Tom Jobim) Solo de introdução da música " Será" (Legiao Urbana)
3ªm - Terça Menor (Descendente): Hey Jud (Hey Jud - The Beatles); Su-per fantástico amigo... (Superfantástico - Balão Mágico); Eu vim, eu vim da Bahia cantar... (Eu Vim da Bahia, Gilberto Gil) Greensleeves (Mozart);
3ªM - Terça Maior (Descendente): É pau, é pedra, é o fim do caminho... (Águas de Março, Tom Jobim); Que fal- ta eu sinto de um bem... (Eu Só Quero Um Xodó, Dominguinhos/Anastácia); Sinfonia Numero 5 de Beethoven.
4ªJ - Quarta Justa (Descendente): One day in your life... (One day in your life - Michael Jackson); Ai tem dó de ver o meu penar... (Rainha do Mar, Dorival Caymmi); O -lha! Está chovendo na roseira... (Chovendo na Roseira, Tom Jobim); A-le luia, Heandel - Aleluia , de "o Messias".
4ª Aum - Quarta Aumentada / 5ª Dim - Quinta Diminuta (Descendentes): Música Black Sabbath de Black Sabbath; Man-guei-ra, estou aqui na plataforma da estação... (Piano na Mangueira, Tom Jobim e Chico Buarque).
5ªJ - Quinta Justa (Descendente): Fee-lings, nothing more than feelings (Feelings - Morris Albert); É do- ce morrer no mar... (É Doce Morrer no Mar, Dorival Caymmi); Só lou- co, amou como eu amei... (Só Louco, Dorival Caymmi).
6ªm - Sexta Menor (Descendente): Vai mi -nha tristeza... (Chega de Saudade, Tom Jobim e Vinicius de Moraes); Ah es -se cara tem me consumido... (Esse Cara, Caetano Veloso).
O piano, para surpresa de muitos, é um de corda. Também é definido modernamente como instrumento de percussão porque o é produzido quando os martelos tocam nas cordas esticadas e presas numa estrutura rígida de madeira ou metal. As cordas vibram e produzem o som. Como instrumento de cordas percutidas por mecanismo ativado por um , o piano é semelhante ao cravo. Os instrumentos diferem-se no mecanismo de produção de som. Num cravo as cordas são beliscadas. No piano o martelo ressalta de imediato após tocar nas cordas e deixa a corda vibrar livremente.
O piano é amplamente utilizado na música ocidental, no jazz, para a performance solo e para acompanhamento. É também muito popular como um auxílio para compor. Embora não seja portátil e tenha um preço caro, o piano é um instrumento versátil, uma das características que o tornou um dos mais conhecidos pelo mundo.
História:
É Invenção do italiano Bartolomeo Cristofori. Sabe-se que inventou um cravo que toca suavemente (piano) e fortemente por volta de 1698. Os pianos mais antigos que ainda existem datam da década de 1720. A invenção do piano beneficiou de muitos anos de existência do cravo, para o qual se conhecia bem a acústica e os materiais. O próprio Cristofori era fabricante de cravos.
O grande êxito de Cristofori foi ter conseguido resolver, pela primeira vez, o problema mecânico fundamental do piano: os martelos devem tocar nas cordas mas retirar-se imediatamente (senão o som seria abafado), sem balançar e possibilitando repetições rápidas de pressão sobre a mesma tecla.
Piano de cauda e piano vertical:
O piano de cauda tem a armação e as cordas colocadas horizontalmente. Necessita de um grande espaço pois é bastante volumoso. É adequado para salas de concerto com tetos altos e boa acústica. Existem diversos modelos e tamanhos, entre 1,8 e 3 metros de comprimento e 620 kg.
O piano vertical tem a armação e as cordas colocadas verticalmente. A armação pode ser feita em metal ou madeira. Os martelos não beneficiam da força da gravidade.
Alguns compositores contemporâneos, como John Cage, Toni Frade e Hermeto Pascoal, inovaram no som do piano ao colocarem objectos no interior da caixa de ressonância ou modificarem o mecanismo. São os chamados ‘pianos preparados’.
Pianistas famosos:
Entre os pianistas famosos de todos os tempos encontramos (não separados por épocas): André Previn, Arthur Moreira Lima, Bill Evans, Chiquinha Gonzaga, David Hellfgot, Elton John, Frederic Chopin, Freddy Mercury, Hermeto Pascoal, Heitor Villa-Lobos, Jerry Lee Lewis, John Ono Lennon, Johann Sebastian Bach, Ludwig van Beethoven, Maurice Ravel, Richard Clayderman, Stevie Wonder, Tom Jobim, Wolfgang Amadeus Mozart, entre tantos outros.
Ela se chama Yoo Ye-Eun é cega e tem apenas 5 anos de idade. Nasceu na Coréia do Sul e foi adotada quando tinha dois anos.
Aos três, sem nunca ter colocado as mãozinhas em um piano, começou a tocar peças de um dos maiores compositores de todos os tempos: Wolfgang Amadeus Mozart.
A menina é capaz também de ouvir qualquer música pela primeira vez e fazer imediatamente o acompanhamento.
Yoo Ye-Eun apresentou-se há pouco tempo no Star King, um dos mais populares programas de televisão de seu país, e arrrancou lágrimas dos jurados e da platéia.
Já está se espalhando pelo mundo que a garota é a reencarnação do grande músico austríaco que morreu aos 35 anos de idade (1756-1791).
Esta menina realmente prova que talento musical independe da idade! Talvez por ser cega tenha se aguçado o sentido da audição! Mas o que realmente da pra perceber é...simplicidade e Dom mesmo ! É o que chamamos de prodígio musical! Eu confesso que ela é capaz de arrancar lágrimas até dos mais durões dos seres Humanos! Vejam o vídeo!Mas não deixem de postar comentários!Assim vocês podem fazer deste site, um lugar para ver e aprender com as pessoas e ainda participar mostrando seu senso crítico e humano!!!!
Os pais, sejam ou não músicos, desempenham um papel importante na aprendizagem de competências musicais por parte dos filhos. A questão da aprendizagem de competências e de desenvolvimento de aptidões começa muito cedo, visto que é amplamente conhecido que as crianças conseguem ouvir música e palavras nas últimas semanas de 'estadia' no ambiente intra-uterino e que conseguem reconhecer esses sons depois de nascerem. O interesse que as crianças terão no som, na música e nos seus componentes variará consoante o grau de interação musical e quase-musical que os pais desenvolvem com os seus filhos. O tipo de interação musical mais eficaz acontece quando os pais cantam para o bebê, muito embora fazer ouvir música gravada ou ao vivo possam também seja positivo. O tipo de interação quase-musical envolve a comunicação (vocal mas não-verbal) que os pais usam quando embalam, alimentam, brincam com as crianças. Diz-se quase-musical porque envolve parâmetros musicais: variação de altura sonora, timbre, melodia, ritmo, tempo e dinâmica. A interação quase-musical termina quando o centro de atenção passa a ser a aquisição de linguagem. No fundo, os pais que promovem este tipo de interações educam-nas musicalmente (mesmo que de uma forma elementar), proporcionando às crianças uma compreensão sensorial dos fenômenos sonoros e musicais.
O papel dos pais na aprendizagem II
No ensino especializado da música, onde o tipo de competências a desenvolver são complexas e envolvem muitas horas de estudo e persistência, o papel dos pais é vital para o sucesso da aprendizagem, independentemente de saberem ou não música.Alguns dos aspectos que, tidos em conta pelos pais, influenciam positivamente o desempenho das crianças são:
1. Atenção dos pais centrada na criança, com particular ênfase no ensino da música. 2. Organização das atividades dos pais centrada nos interesses, nas atividades e no tempo da criança.
3. A música é valorizada na família.
4. O ênfase dos pais está centrado no prazer de tocar/fazer música, e não numa carreira musical.
5. Há lugar a elogios, mesmo quando há apenas pequenos sucessos.
6. Cuidadosa seleção dos professores e monitorização do trabalho feito em casa.
7. Investimento de uma considerável quantidade de tempo e esforço nas atividades musicais.
O valor da repetição
A aprendizagem de música depende essencialmente da aquisição de competências psico-motoras. Se na aprendizagem de uma disciplina do ensino regular (Biologia, Português, Física...) a aprendizagem de um conceito depende, na maioria dos casos, de uma exposição ou explicação dos fenómenos ou dos elementos associados a esse conceito, no caso do ensino da música (quer no ensino especializado, quer no não-especializado) a aprendizagem de conceitos e competências depende quase exclusivamente da qualidade e do número de repetições.
Número de repetições - Aplicando o PST (Production System Theory) à aprendizagem na música, percebemos que um comportamento ou uma competência só é adquirida, adicionada e incorporada, se o Sistema Cognitivo que controla a aquisição de comportamentos ou competências encarar esse comportamento ou competência como útil. Para o Sistema Cognitivo, o que determina a utilidade do comportamento ou da competência é o número de vezes que é repetido com sucesso. As competências a que nos referimos dizem respeito, quer às que os professores de instrumento desenvolvem como às que os professores de Formação Musical querem fazer desenvolver.
Qualidade das repetições - Recorrendo à mesma teoria, a aprendizagem de uma competência só se efectiva se todas as sub-competências que dela dependem já tiverem sido repetidas ao ponto de terem sido incorporadas com sucesso. [Pensando num caso prático, imagine que um aluno quer conseguir tocar uma escala, digamos de Dó Maior. Para que esta competência (hierárquicamente superior) possa ser adquirida com sucesso, é necessário que as competências dispostas nos níveis inferiores da hierarquia de complexidade tenham sido adquiridas/aprendidas com sucesso. Neste caso podemos imaginar o nível mais baixo da hierarquia deste exemplo contendo como competências iniciais ser capaz de associar a tecla/corda/posição a cada uma das notas que constituem a escala de Dó Maior.] Portanto, para haver sucesso na aquisição de uma competência tem de haver uma sucessiva repetição/integração das suas mais directas sub-competências.
Quando é que se conclui que o número de repetições é suficiente? Quando nos tornamos capazes de desempenhar a competência de uma forma reflexiva, sem efectuar qualquer tipo de esforço mental. No caso do Instrumento quando somos capazes de tocar uma peça, uma escala, um acorde ou uma nota sem qualquer tipo de esforço mental. No caso da Formação Musical quando somos capazes de entoar um intervalo, ler uma melodia ou percutir um ritmo sem fazer qualquer esforço mental.Portanto, o que quer que tentemos aprender em música, só seremos bem-sucedidos dependendo da quantidade de tempo e esforço que gastamos em repetir.
Ensino da Música para Crianças - Princípios Pedagógicos I
Todas as crianças têm potencial para aprender música. Algumas precisam mais tempo que outras para aprender, precisam que o professor repita experiências significativas um maior número de vezes, mas todas as crianças têm potencial para adquirir competências musicais. Só é possível ensinar música se as atividades realizadas forem eminentemente musicais. A aquisição de competências musicais não depende de explicações verbais, imagens visuais, esquemas, metáforas, analogias ou desenhos. A verdadeira compreensão dos fenômenos sonoros só é possível quando se orienta o atenção da criança para o som, para as suas propriedades e para a forma como evoluem no tempo os seus elementos. Assim sendo, só a vivência de experiências musicais marcantes que se aproximam da 'música real' pode levar as crianças a aprender o que é música. Partir do que as crianças conhecem para aprender coisas novas não se pode assumir que é na primeira aula de música (formal) que as crianças vão começar a aprender música. As crianças já tiveram muitas experiências 'musicais' antes de ver o primeiro professor de música: já dançaram com música, aprenderam canções, cantaram interiormente, marcaram um ritmo em simultâneo com uma música... Por esta razão, o professor ao ter consciência da existência de um historial de experiências musicais, deve partir do que a criança já consegue fazer para fazer desenvolver novas competências. Ao fazer isto, o professor facilitará a integração de novas competências e novas aprendizagens.
Ensino da Música para Crianças - Princípios Pedagógicos II
Organizar as atividades em função de objetivos comportamentais e não o contrário
A tendência de professores inexperientes ao planificarem as suas aulas é pensar prioritariamente em descobrir atividades engraçadas e cativantes, mais do que nas vantagens pedagógicas ou no valor pedagógico dessas atividades. Um ensino de qualidade não ignora a importância da escolha de atividades interessantes para as crianças, mas apenas pensa nas atividades depois do objetivo comportamental estar definido. As atividades mais do que divertirem as crianças, deverão levar as crianças a ser capazes de fazer algo de novo.
Se todas as atividades forem pensadas como 'Jogo' as crianças vão sentir-se mais motivadas para participar e aprender
Fazer isto significa mais do que apenas fazer Jogos na aula. Este princípio pedagógico tem implicações, sobretudo para a forma como o professor aborda cada atividade. Se as crianças sentirem que em cada atividade os pressupostos envolvidos são os mesmos que estão na base dos jogos que elas realizam entre elas, vão sentir-se motivadas e empenhadas no processo de aprendizagem. Estes pressupostos são:
* 1. Redução da carga negativa atribuída ao erro,
* 2. Possibilidade de fazer várias tentativas para acertar/fazer bem,
* 3. O objetivo a atingir é muito claro,
* 4. Todas as crianças se vêem como estando ao mesmo nível, não havendo diferenças de potencial entre elas.
A tarefa do bom professor é fazer realçar todos estes pressupostos em cada atividade realizada na aula.
Jean Sibelius (8 de dezembro de 1865 – 20 de setembro de 1957) foi um compositor finlandês de música erudita, e um dos mais populares compositores do final do Século XIX e início do Século XX. Sua genialidade musical também teve importante papel na formação da identidade nacional finlandesa.
Sibelius nasceu numa família que falava sueco e residia na cidade de Hämeenlinna, no Grão-Ducado da Finlândia, então pertencente ao Império Russo. Seu nome de batismo é Johan Julius Christian Sibelius e ele era conhecido como Janne por sua família, mas durante seus anos de estudo ele teve a idéia de usar a forma francesa de seu nome, Jean, após ver uma pilha de cartões postais de um tio seu, que havia viajado de navio.
Significativamente, indo de encontro ao largo contexto do então proeminente movimento Fennoman e suas expressões do nacionalismo romântico, sua família deciciu mandá-lo para um importante colégio de língua finlandesa, e ele freqüentou o The Hämeenlinna Normal-lycée de 1876 a 1885. O nacionalismo romântico ainda iria se tornar uma parte crucial na produção artística de Sibelius e na sua visão política.
A principal parte da música de Sibelius é sua coleção de sete sinfonias. Como Beethoven, Sibelius usou cada uma delas para trabalhar uma idéia musical e/ou desenvolver seu próprio estilo. Suas sinfonias continuam populares em gravações e salas de concerto.
Dentre as composições mais famosas de Sibelius, destacam-se:Concerto para Violino e Orquestra em ré menor (obra de grande expressão,melodiosidade profunda e virtuosismo,que goza de grande popularidade entre os violinistas e o público,tornando-se em um dos concertos para violino mais executados nas salas de concerto),Finlandia, Valsa Triste (o primeiro movimento da suíte Kuolema), Karelia Suite e O Cisne de Tuonela (um dos quatro movimentos da Lemminkäinen Suite). Outros trabalhos incluem peças inspiradas no poema épico Kalevala, cerca de 100 canções para piano e voz, música incidental para 13 peças, uma ópera (Jungfrun i tornet, A Senhora na Torre), música de câmara, peças para piano, 21 publicações separadas para coral e músicas para rituais maçônicos. Até meados de 1926 foi prolífico; entretanto, apesar de ter vivido mais de 90 anos, ele quase não completou composições nos últimos 30 anos de sua vida, após sua Sétima Sinfonia em 1924 e o poema musicado Tapiola em 1926.
Família e vida pessoal
Sibelius terminou o ensino médio em 1885. Ele começou a estudar Direito na Aleksander's Imperial University em Helsinki, mas a música sempre foi a responsável por suas melhores notas na escola e Sibelius parou seus estudos. De 1885 a 1889, Sibelius estudou música na escola de música de Helsinki (hoje a Sibelius Academy). Um de seus professores foi Martin Wegelius. Sibelius continuou estudando em Berlim de 1889 a 1890, e em Viena de 1890 a 1891.
Jean Sibelius casou-se com Aino Järnefelt (1871-1969) na cidade de Maxmo em 10 de junho de 1892. A casa de Jean e Aino, a Ainola, foi concluída no Lago Tuusula, na cidade de Järvenpää, Finlândia, em 1903, onde eles viveram durante o resto de suas longas vidas. Eles tiveram seis filhas: Eva, Ruth, Kirsti (que morreu muito jovem), Katarine, Margaret e Heidi.
Em 1911 ele se submeteu a uma séria cirurgia por suspeita de câncer na garganta; esta perspectiva de morte coloriu diversas composições suas na época, incluindo Luonnotar e sua Quarta Sinfonia.
Sibelius amava a natureza, e o estilo "natural" freqüentemente impregnava sua música. Sobre sua Sexta Sinfonia, ele disse que ela "sempre lhe lembrava a queda dos primeiros flocos de neve". Dizem que as florestas ao redor da Ainola tiveram grande influência em sua composição Tapiola. Erik Tawaststjerna, biógrafo de Sibelius, disse:
«Mesmo para os padrões nórdicos, Sibelius respondeu com uma excepcional intensidade às variações da natureza e as mudanças de estações: ele cruzou os céus com seu binóculo para ver os gansos sobrevoando o lago congelado, ouviu o grasnar dos grous e escutou os ecos do choro dos curleus sobre os brancos campos ao redor de Ainola.»
(Erik Tawaststjerna)
Tawaststjerna também fala a respeito de uma história sobre a morte de Sibelius:
«Ele estava retornando de sua costumeira caminhada matinal. Maravilhado, contou à sua esposa Aino que havia visto um bando de curleus se aproximando. "Aí vêm eles, os pássaros da minha juventude" – exclamou ele. Repentinamente um dos pássaros saiu da formação e, voando, fez um círculo contornando Ainola. Então retornou à sua formação e continou voando em sua jornada com o bando. Dois dias depois, Sibelius morria de uma hemorragia cerebral.»
(Erik Tawaststjerna)
Sibelius morreu em 20 de setembro de 1957 em Ainola, onde ele está enterrado num jardim. Aino viveu ainda por doze anos até morrer em 8 de junho de 1969, sendo então enterrada junto do marido.
Em 1972, as duas filhas de Sibelius ainda vivas venderam Ainola ao Estado da Finlândia. O então Ministro da Educação, junto da Sibelius Society, a transformaram num museu, aberto em 1974.
Estilo musical
Sibelius fez parte de um grupo de compositores que aceitou as normas de composição do Século XIX. Como muitos de seus contemporâneos, ele apreciou Wagner, mas apenas durante certo tempo, escolhendo depois um caminho musical diferente. Pensando na ópera como impulsionador de sua carreira, Sibelius começou a estudar as partituras das óperas Tannhäuser, Lohengrin, e Die Walküre de Wagner. Ele então partiu para o Festival de Bayreuth onde ainda ouviu Parsifal, que teve grande efeito sobre ele. Ele escreveu à esposa pouco tempo depois, "nada no mundo me impressionou dessa forma, fazendo vibrar as cordas do meu coração". Sibelius então começou a trabalhar em uma ópera intitulada Veneen luominen (A Construção do Barco).
Entretanto, sua apreciação por Wagner se esvaiu, e pouco tempo depois, Sibelius rejeitou a técnica de composição de Wagner conhecida como Leitmotiv, alegando esta ser muito deliberada e calculada. Deixando a ópera, o material musical da incompleta Veneen luominen eventualmente tomou forma como a Lemminkäinen Suite, em 1893.
Outras influências primárias incluem Ferruccio Busoni, Anton Bruckner e Tchaikovsky, sendo este último particularmente evidente na Sinfonia N. 1 em Mi Menor (1899) de Sibelius, e mais tarde em seu Concerto para Violino de 1905.
Entretanto, ele progressivamente abandonou as diretrizes de composição da forma-sonata em seu trabalho e, ao invés de múltiplos contrastes de temas, ele ficou na idéia de envolver continuamente células e fragmentos culminando em um grande e único tema. Dessa forma, seu trabalho pode ser visto como um desenvolvimento único, com permutações e derivações dos temas levando o trabalho adiante. A síntese é muitas vezes tão completa e orgânica que leva a pensar que ele começou pelo final, escrevendo rumo ao início, de trás para frente.
Crítica
Sibelius foi muitas vezes criticado como uma figura reacionária da música clássica do Século XX. Apesar das inovações da Segunda Escola de Viena, ele continuou a escrever num idioma estritamente tonal. Entretanto, críticos que procuraram re-avaliar a música de Sibelius têm citado sua auto-estrutura interna, que destila tudo em umas poucas idéias motívicas permitindo à música crescer organicamente. Esta natureza severa da orquestração de Sibelius é geralmente creditada como uma representação da "característica finlandesa", extirpando o supérfluo da música.
Esta auto-estrutura interna contrasta profundamente com o estilo sinfônico de Gustav Mahler, o grande rival de Sibelius na composição sinfônica. Enquanto a variação temática desempenhou um importante papel nos trabalhos de ambos os compositores, Mahler fez uso de disjunções, mudanças abruptas e contrastes de temas, enquanto Sibelius transformava lentamente elementos temáticos. O compositor finlandês escreveu que admirava a severidade de estilo e a profunda lógica que ligava intimamente os temas – a opinião de Mahler era justamente o oposto, de que uma sinfonia deveria ser um mundo, abraçando a tudo.
Apesar disso, os dois rivais encontraram campos comuns na música. Como Mahler, Sibelius fez uso freqüente tanto de música folclórica quanto de literatura na composição de seus trabalhos. O movimento lento de sua Segunda Sinfonia baseou-se no motivo do Commandatore em Don Giovanni, enquanto sua Quarta Sinfonia combinou o trabalho de uma planejada "Sinfonia da Montanha" com um poema sinfônico baseado no trabalho O Corvo, de Edgar Allan Poe. Sibelius também escreveu vários poemas sinfônicos baseados na poesia finlandesa, sendo En Saga o primeiro e Tapiola o último, sua última grande composição.
As melodias de Sibelius muitas vezes possuíam poderosas implicações modais. Ele estudou a polifonia renascentista assim como um de seus contemporâneos, o compositor dinamarquês Carl Nielsen, e a música de Sibelius freqüentemente reflete essa influência. Ele muitas vezes variou seus movimentos em uma peça mudando os valores das notas nas melodias, ao invés da mudança convencional de tempo, desenhando uma melodia sobre determinadas notas enquanto deixava fluir outra melodia num ritmo mais lento. Sua Sétima Sinfonia, por exemplo, é composta de quatro movimentos sem pausas, onde cada tema importante está em dó maior ou dó menor; a variação vem do tempo e do ritmo. Sua linguagem harmônica era geralmente restrita, até iconoclasta, quando comparada a de muitos de seus contemporâneos que já experimentavam o Modernismo musical. Como reportado no jornal Manchester Guardian em 1958, Sibelius sumarizou seus últimos trabalhos dizendo que, enquanto a maioria dos outros compositores estavam preocupados em oferecer coquetéis à audiência, ele oferecia água pura e gelada.
Por causa de seu conservadorismo, a música de Sibelius é algumas vezes considerada insuficientemente complexa, mas ele sempre obteve respeito de seus mais modernos companheiros. No final da vida ele foi premiado pelo crítico Olin Downes, que escreveu uma biografia, mas foi atacado pelo crítico e compositor Virgil Thomson. Talvez uma razão para que Sibelius tenha atraído tanto a ira quanto a admiração dos críticos é que em cada uma de suas sete sinfonias ele abordou os problemas básicos de forma, tonalidade e arquitetura de maneira única e individual. Por um lado, sua criatividade sinfônica e tonal foi moderna, mas outros entenderam que a música deveria ter tomado um rumo diferente. A resposta de Sibelius à critica foi ríspida:
«Não preste atenção ao que os críticos dizem. Nunca nenhum prêmio foi dado a um crítico.»
(Jean Sibelius)
Evolução
Com o tempo, Sibelius procurou usar novos padrões de acordes, incluindo trítonos puros – como em sua Quarta Sinfonia – e estruturas melódicas simples para construir longos movimentos na música, de uma maneira similar ao uso das dissonâncias de Joseph Haydn. Sibelius de vez em quando alternava seções melódicas com acordes fortes de metais que diminuem e somem aos poucos, ou baseava sua música em figuras repetidas que antagonizavam a melodia e a contra-melodia.
Em 1926, houve um acentuado declínio na produção de Sibelius. Após sua Sétima Sinfonia, ele produziu poucas obras durante o resto de sua vida. Diz-se que as duas mais significantes foram a música incidental para A Tempestade, de Shakespeare, e o poema musical Tapiola. Durante os últimos quase trinta anos de sua vida, Sibelius até evitava falar de sua música.
Existem evidências substanciais de que Sibelius trabalhou no que seria sua Oitava Sinfonia. Ele chegou a prometer sua estréia a Serge Koussevitzky em 1931 e 1932, e uma execução em Londres em 1933 sob a regência de Basil Cameron foi até anunciada ao público. Entretanto, a única evidência concreta da existência da sinfonia em papel é um esboço do que seria uma cópia do primeiro movimento [1]. Sibelius sempre foi muito auto-crítico, ele sempre dizia aos amigos que, se não pudesse compor uma sinfonia melhor que a Sétima, então esta seria sua última. Uma vez que nenhum manuscrito sobreviveu, fontes consideram que o próprio Sibelius destruiu todas as partituras, provavelmente em 1945, já que durante este ano ele certamente atirou uma grande quantidade de papéis às chamas, na presença de sua esposa [2].
Sibelius entrou e saiu de moda, mas continuou como um dos mais populares sinfonistas do Século XX, com o completo ciclo de suas sinfonias sendo sempre regravado. Em seu próprio tempo, entretanto, ele focou muito mais a música de câmara para uso doméstico – muito mais rentável – e ocasionalmente para trabalhos em palco. Eugene Ormandy e, em menor escala, seu predecessor Leopold Stokowski, foram os maiores divulgadores da música de Sibelius à audiência americana, tendo o próprio Ormandy desenvolvido amizade junto a Sibelius ao longo de sua vida. Atualmente, Paavo Berglund e Colin Davis são considerados os maiores expoentes na música de Sibelius. Outros conjuntos de gravações notáveis foram produzidos por John Barbirolli, Vladimir Ashkenazy, Leonard Bernstein, Simon Rattle e Lorin Maazel. Herbert von Karajan também se associou a Sibelius, gravando todas as suas sinfonias, exceto a Terceira – algumas delas mais de uma vez. Recentemente, Osmo Vänskä e a Lahti Symphony Orchestra executaram o ciclo completo de Sibelius, incluido peças não-publicadas e retratadas, como as primeiras versões da Quinta Sinfonia (1915) e o Concerto para Violino (1903), sendo largamente aclamados pela crítica.
A seguir eu postei um vídeo que expressa uma das melhores obras desse misterioso e fascinante compositor! É como um hino a liberdade,uma explendida rapsódia que considero maravilhosa, e seu nome é justamente o país de origem do compositor, Finlândia! Isso mesmo! Observem a profundidade dessa maravilhosa composição musical, e analizem quão grande era o seu talento musical!!!