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sexta-feira, 18 de julho de 2008

Filtro de irrelevância no cérebro

O estudo mostra que o cérebro filtra as irrelevâncias.
Cientistas do Instituto Karolinska, na Suécia, dizem que descobriram uma nova área no cérebro que seria essencial para manter a boa memória, uma área que "filtra" informações irrelevantes.

Através de ressonância magnética em 25 voluntários saudáveis, os cientistas observaram que pessoas que têm boa memória, mesmo quando sofrem distrações, registram maior atividade nos gânglios basais, área do cérebro que é um agrupamento de centros nervosos.

Para comprovar esta atividade, os voluntários foram submetidos a um teste computadorizado, em que eram obrigados a responder a determinados tipos de imagens, apresentadas com ou sem fatores que causavam distração.

Um som era emitido toda vez que uma imagem vinha acompanhada desses fatores de distração "irrelevantes".

Os cientistas descobriram que quando as imagens - acompanhadas do som - apareciam, havia um aumento na atividade nervosa nos gânglios basais e no córtex pré-frontal, o que sugere que o cérebro estava se preparando para "filtrar" estas informações visuais.

Segundo os pesquisadores, liderados por Torkel Klingberg e Fiona McNab, o estudo ajuda a explicar porque algumas pessoas têm memória melhor do que outras.

Memória de trabalho

Segundo a pesquisa, publicada na revista científica Nature Neuroscience, a habilidade de armazenar informações que podem ser acessadas rapidamente pelo cérebro é conhecida como "memória de trabalho".

Esta função varia de um indivíduo para o outro e permite o armazenamento de informações mesmo quando o corpo está trabalhando em outra atividade.

Os resultados do estudo apontam que um dos fatores para esta variação é a capacidade do cérebro em filtrar da memória informações que são irrelevantes.

Para os pesquisadores, o resultado também pode ajudar a entender o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

A equipe de pesquisadores está investigando novos métodos para melhorar a atenção e a memória de trabalho em crianças com TDAH e monitorando as mudanças através de ressonância magnética funcional.

John Duncan, cientista do Medical Resarch Council, na Grã-Bretanha, disse que o resultado da pesquisa do Instituto Karolinska "abre uma janela para importantes partes da mente".

"Os gânglios basais são fortes candidatos a estarem envolvidos em distúrbios cerebrais em pessoas com problemas de controle de atenção".

"Mas existem várias regiões no cérebro que filtram informações irrelevantes, portanto é cedo para saber se essas descobertas poderão resultar em curas para condições como TDAH".

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